A escolha profissional: dúvidas ou questionamentos?
Uma escolha profissional remete ao futuro: perspectivas, sonhos, projetos e uma boa dose de imprevisibilidade. Digamos que é mais um lance de um complicado jogo em que não estamos sozinhos e chegou a nossa vez. E então? Não se esqueça de que escolher é ter mais de uma chance.
As regras do jogo
As regras desse jogo incluem a busca de informações a respeito de si próprio. São as qualidades do bom jogador: esperar a vez, pensar nas jogadas, divertir-se sem abrir mão da responsabilidade sobre as próprias jogadas e enfrentar as sortes e os revezes.
Você deve estar pensando: comparar a escolha profissional a um jogo é muito arriscado! Não existem métodos científicos que garantem uma boa escolha através de testes vocacionais?
A questão “o que serei?” nunca admite uma resposta fechada. Por isso, os testes são insuficientes, não oferecem garantia cientifica de que haja um único caminho “certo”. A escolha profissional lembra um jogo pela imprevisibilidade e pela interferência de múltiplos fatores. O resultado desse “jogo” pode nos surpreender muito; o inesperado pode ser, e é freqüentemente, muito mais divertido e prazeroso do que um futuro traçado cálculos matemáticos.
Escolher uma profissão é um passo importante, especialmente numa sociedade como a nossa, na qual o trabalho e o dinheiro ocupam um lugar central. Passamos longa parte do nosso tempo trabalhando e, muitas vezes, nossas amizades iniciam no ambiente de trabalho.
A escolha profissional não se dá de uma só vez. Ao contrário, processa-se ao longo de toda a vida e sofre contínuas modificações. É um projeto que vamos realizando e que, na prática, se transforma.
Ao final do Ensino Médio o tema da profissão torna-se cada vez mais presente. Começa surgir a necessidade e a vontade de trabalhar, bem como de fazer escolhas sobre a continuidade dos estudos. Essa coincidência entre o momento da escolha profissional e o período da adolescência acentua uma questão essencial para cada pessoa: torna-se dona de seus próprios atos.
Escolher uma carreira envolve presente, passado e futuro. Não adianta ter pressa; ao contrário: quanto mais correr, tanto menos o sujeito encontrará a carreira ideal. Porque na verdade, busca-se a própria identidade.
* Lourdes Moreira é Coordenadora do Ensino Médio